"... estive pensando, não sei, talvez eu lhe encontre algum dia. No bar, na praia, no quarto, debaixo da ponte. Talvez só seja uma questão de tempo; ou quem sabe o tempo não lhe permita viver por muito tempo.
Enfim, talvez as coisas não passem de um “talvez”. Ou de uma noite ouvindo “Dreaming with a broken heart” no sofá da sala. Pensando, tomando um café. Imaginando como seria diferente, ter certeza das coisas. Mas isso não é necessário. Talvez, nada seja necessário (nem isso que estou escrevendo). Não há motivos para ter certeza se você não parar de fazer o que está fazendo e sair correndo em busca do que você quer. Eu, por exemplo, poderia embarcar num ônibus com um destino traçado no mapa e “ter” o que eu busco; mas as coisas vão além do que está limitado. Só sei que respirar no vidro e depois desenhar com o dedo é incrível.
Assim como escrever seu nome no meu mural de fotos. Saiba que o que realmente é bom, a gente só faz uma vez na vida. Correr na contra-mão numa noite chuvosa, dançar no meio de uma avenida movimentada, doar um conversível para o ferro velho, pedir carona e cair na estrada. Todos um dia acordamos com essa vontade. Mas hoje, acordei com a vontade de escrever essas coisas que talvez fiquem mofando em uma gaveta, ou num blog fracassado; sendo que seria para estar em suas mãos. Enfim, pegue o ônibus em alguma dessas
madrugadas chuvosas, compre dois pacotes de cookies, arranque uma flor do jardim de alguém, e me encontre naquela loja de vinis... "
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