segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Reprodução

... Estou lúcida. Não sinto nada, apenas, um pouco de frio. Janela aberta. Fim de tarde. Música qualquer tocando no media player. Esparramada no chão, procurando motivos para levantar e dar uma volta. Tocou mais duas músicas. Minha vontade de viver era zero. Troquei programas “divertidos”, por longas madrugadas de insônia
escrevendo cartas sem remetente. Coloquei meu cabelo para o lado, ajustei a blusa e fui até a
geladeira pegar um copo d’água. Minha palidez levou-me a crer que estava doente. Mas não. Uma bagunça fingida tomava conta do espaço. Roupas amassadas sem usar, cabides e chinelos. Não se encontrava felicidade no rosto dela; mas nem por isso, a tristeza a consumia. A vida era do jeito dela, do jeito que ela queria. Quando a cabeça começava a doer, dezenas de comprimidos ela ingeria.
 Talvez, fazia-a bem. Fotos e memórias estavam rasgadas no tapete. E os vasos imploravam por flores; assim como as mensagens de boa noite. Não recebia visitas desde muito tempo. Ficava acordada lendo, tentando criar coragem enquanto apreciava alguma faixa desconhecida. Sobrevivia da música, dos remédios e da poesia.

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