... Estou lúcida. Não sinto nada, apenas, um pouco de frio. Janela aberta. Fim de tarde. Música qualquer tocando no media player. Esparramada no chão, procurando motivos para levantar e dar uma volta. Tocou mais duas músicas. Minha vontade de viver era zero. Troquei programas “divertidos”, por longas madrugadas de insônia
escrevendo cartas sem remetente. Coloquei meu cabelo para o lado, ajustei a blusa e fui até a
geladeira pegar um copo d’água. Minha palidez levou-me a crer que estava doente. Mas não. Uma bagunça fingida tomava conta do espaço. Roupas amassadas sem usar, cabides e chinelos. Não se encontrava felicidade no rosto dela; mas nem por isso, a tristeza a consumia. A vida era do jeito dela, do jeito que ela queria. Quando a cabeça começava a doer, dezenas de comprimidos ela ingeria.
Talvez, fazia-a bem. Fotos e memórias estavam rasgadas no tapete. E os vasos imploravam por flores; assim como as mensagens de boa noite. Não recebia visitas desde muito tempo. Ficava acordada lendo, tentando criar coragem enquanto apreciava alguma faixa desconhecida. Sobrevivia da música, dos remédios e da poesia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário